Mikaeri Ohana, Author at Blogs de indústria da Microsoft http://approjects.co.za/?big=pt-br/industry/blog Thu, 09 Jul 2020 16:47:34 +0000 en-US hourly 1 Mulheres na tecnologia: A importância da representatividade http://approjects.co.za/?big=pt-br/industry/blog/cross-industry/2020/07/09/mulheres-na-tecnologia/ Thu, 09 Jul 2020 15:13:35 +0000 A jornada da mulher na tecnologia começa difícil. Diante de tão poucas iguais a si na sala de aula, se torna inevitável a pergunta “esse lugar é para mim?”. Essa pergunta, que inicialmente é feita em faculdades e espaços de ensino, também é repetida em outros momentos e locais - no trabalho, em reuniões, em eventos.

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Uma mulher sentada

A jornada da mulher na tecnologia começa difícil. Diante de tão poucas iguais a si na sala de aula, se torna inevitável a pergunta “esse lugar é para mim?”. Essa pergunta, que inicialmente é feita em faculdades e espaços de ensino, também é repetida em outros momentos e locais – no trabalho, em reuniões, em eventos. 

 Quando vemos a história de mulheres na computação, nos deparamos com um cenário de mulheres responsáveis por criarem toda a base que possuímos hoje. Poucos dos inúmeros exemplos que temos são: 

  • Ada Lovelace, criadora do primeiro algoritmo da história; 
  • Dorothy Vaughan, afro-americana que trabalhou na NASA e fez grandes feitos na década de 1950 dentro da corporação; 
  • Grace Hopper, que inventou o primeiro compilador e levou ao desenvolvimento do COBOL; 
  • Margaret Hamilton, diretora do laboratório do MIT responsável pelo desenvolvimento do programa de voo utilizado pelo projeto do Apollo 11 – a primeira missão que nos levou para a lua. 

 Mas, se temos tantas mulheres importantes que nos levaram a todos os avanços tecnológicos que temos hoje em dia, por que a desigualdade persiste? 

Passagem escritaDesde crianças, as mulheres são criadas para brincar de bonecas e exercerem tarefas restritas a cuidado e à casa. Dificilmente são vistas bonecas que voltam de uma guerra que foram responsáveis por sustentar e bonecos que são pais e cuidavam de seus filhos/cozinhavam.  

 Videogames ficavam na ala masculina da loja de brinquedos, que os pais dificilmente levavam as filhas ou passavam para comprar um presente para elas. Na tecnologia, via-se a partir dos anos 60 a masculinização presente de forma forte com uma figura do geek que entrou no curso para evitar o contato com as pessoas e ficava fechado em um quarto, vestido de preto e interagindo estritamente com seu computador. Toda uma sociedade construída com essas divisões permaneceu dessa forma por muito tempo. 

 Além do curso de informática, percebi essa diferenciação nos esportes. Eu tinha vontade de jogar futsal enquanto estava no ensino fundamental e médio, aliando isso com meus estudos. Sempre gostei muito de jogar bola. 

 No dia que tomei a iniciativa de me inscrever nas aulas, fui informada de que só havia uma turma masculina. E isso não era porque não era permitido o público feminino, mas sim por não haver um número suficiente de meninas interessadas para que turmas fossem fechadas.  

 O professor, vendo minha imensa vontade de jogar, abriu uma turma mista que me possibilitou entrar – e ser a única menina a fazer parte – e que, tempos depois, abriu portas para que a primeira turma feminina ganhasse espaço. 

 Essa aparente “falta de interesse” que citei, no entanto, se choca com o histórico que vimos anteriormente e com outro ponto. Imagine quantas meninas passaram antes de mim no mesmo local e com o mesmo interesse de se inscreverem no programa, mas, ao perceberem que não tinham outras também inscritas, deixaram a ideia de lado? A falta de semelhantes é algo que realmente pesa, e faz com que muitas desistam. 

 Ocupação de espaços e ambientes

 Uma das coisas que mais dificultam a permanência de mulheres nesses espaços é não se enxergarem como parte do ambiente, e exemplos claros disso são: 

  • Uma mulher dentro de uma empresa que não se vê como líder porque não há uma mulher a quem possa se espelhar em um cargo de liderança; 
  • Procurar uma vaga de tecnologia, mas só ver homens ilustrando anúncios; 
  • Ser perguntada no meio de uma entrevista se pretende ter filhos e perceber que qualquer resposta positiva diminui suas chances para a vaga; 
  • Ao participar de processos seletivos, ser vista de forma diferente e enfrentar mais dificuldades para mostrar suas capacidades do que um homem; 
  • Comparar seu salário com o de um homem que exerce as mesmas atividades e descobrir que ganha menos; 
  • Ouvir comentários como “jogue seu charme para conseguir aquilo” ou pessoas induzindo que suas conquistas no trabalho se concretizaram apenas por sua beleza e físico; 
  • Ser inúmeras vezes interrompida em reuniões ao tentar expressar as suas ideias, sem ter a oportunidade de mostrar sua competência – e ver que com pessoas do sexo oposto a frequência que isso ocorre é menor. 

Passagem escrita por Mikaeri. No lado esquerdo, uma foto com três pessoas conversando.

O grupo, antes excluído, se torna parte de um todo que é escasso de profissionais e pode colocar todo seu conhecimento e habilidades em prática. Importante salientar que não só contratar mais mulheres soluciona o problema – é preciso que o ambiente seja seguro, que elas não enfrentem preconceito e acabem pedindo demissão poucos dias depois devido às péssimas situações em que são colocadas, o que não aparece em muitas métricas. 

 Acredito que toda a base e apoio que tive em todos os momentos que me vi como minoria acabaram por fazer crescer em mim uma vontade de propiciar um cenário diferente para as próximas que passassem pelos mesmos caminhos que percorri – de trazer a elas uma sensação de conforto, uma sensação de pertencimento. Uma sensação de que ali era o ambiente para elas por ter mais de 5 mulheres em uma sala de 40, e essas mesmas mulheres não desistirem conforme o curso corria. 

 Minha família foi parte importante de todo esse processo por ter sempre me norteado a fazer escolhas com base nos meus interesses e no que eu acreditava. Nunca me foram impostas bonecas, muito pelo contrário; me lembro bem de passar os dias brincando com meu irmão com o lava-rápido de carrinhos que ele tinha e deixando as duas únicas bonecas que eu mais gostava de lado, no armário. 

 Uma longa caminhada

 O fato de eu ser uma das únicas mulheres nos espaços foi difícil, mas ao mesmo tempo me fez querer continuar até o final da jornada. Se eu gostava de estudar aquilo e era feliz, não ia desistir, e mesmo que fossem poucas, eu queria fazer parte das mulheres que conseguiram. 

 Hoje, após muita luta por parte de cada mulher, vemos empresas com programas de inclusão e estímulo à igualdade e diversidade, contra atitudes de machismo entre seus ambientes e lutando contra vieses inconscientes em contratações, procurando fornecer um ambiente seguro para colaboradoras.  

 Um exemplo disso é a CI&T, empresa que integro como cientista de dados e participo de discussões sobre inclusão e diversidade, que a empresa defende e apoia com muita empatia e persistência. 

 Além de empresas, vemos comunidades técnicas que procuram fazer o possível e impossível para debater sobre o tema e auxiliar para que esse equilíbrio seja cada vez mais presente, investindo em capacitação e em movimentos que estimulem a todas as pessoas que se identificam como mulheres a escolherem e continuarem a acreditar na tecnologia. 

 Algumas das iniciativas que mais admiro são: 

Em resumo, a verdade é que existe toda uma luta por trás – não para que a pergunta “esse lugar é para mi m?” seja respondida, mas para que essa pergunta não exista.

Alguns dos dados que compartilhei podem ser encontrados na íntegra clicando nesse conteúdo super especial, que sugiro como continuação de leitura sobre o tema. 

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Desafios e oportunidades da comunidade técnica em tempos de isolamento social http://approjects.co.za/?big=pt-br/industry/blog/cross-industry/2020/05/28/desafios-oportunidades-comunidade-tecnica-em-tempos-de-isolamento-social/ Thu, 28 May 2020 14:22:09 +0000 Uma comunidade é, de forma resumida, a união de diversas pessoas por alguma motivação em comum. No caso de tecnologia, pode ser tanto o compartilhamento do conhecimento de alguma linguagem específica, como também histórias sobre desafios que foram superados no desenvolvimento de algum projeto, ou até mesmo experiências de carreira.

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cloudblog

Por Mikaeri Ohana, MVP de inteligência artificial na Microsoft 

 

Na faculdade, encontramos um ambiente propício para compartilhar nossas experiências e vivências, principalmente por estarmos convivendo com pessoas que estão, em sua maioria, em um momento parecido com o nosso. 

No entanto, ao finalizar o curso e entrar no mercado de trabalho, nos deparamos com outras diversas necessidades e, sem termos mais o auxílio que tínhamos dentro de uma instituição de ensino para trocar conhecimentos, nos vemos na necessidade de algum outro ambiente que nos propicie o compartilhamento de ideias – e é aí que entram as comunidades técnicas. 

Uma comunidade é, de forma resumida, a união de diversas pessoas por alguma motivação em comum. No caso de tecnologia, pode ser tanto o compartilhamento do conhecimento de alguma linguagem específica, como também histórias sobre desafios que foram superados no desenvolvimento de algum projeto, ou até mesmo experiências de carreira

A área de tecnologia é uma das áreas com maior número de comunidades existentes.  

comunidade

 Entre os trabalhos desenvolvidos por comunidades de tecnologia, podemos citar alguns exemplos: 

 

  • Organização de meetups em empresas de tecnologia que disponibilizam seu espaço e fomentam o ecossistema. Meetups são eventos onde palestrantes, voluntariamente, compartilham o seu conhecimento sobre um tema e o público interage, trocando experiências sobre as vivências em outras empresas e tirando dúvidas; 
  • Workshops e bootcamps, que possuem um foco mais prático ao invés de uma abordagem teórica de palestras (como seriam em meetups), envolvendo um grande esforço de planejamento e estruturação de conteúdo por ser mais focado em trabalho “mão na massa”;
  • Conferências, eventos maiores e ocorrem com menor frequência devido ao planejamento e infraestrutura e podem unir todos os tipos de contribuição citados acima; Geralmente, uma conferência conta com uma estrutura de apresentador, trilhas e milhares de pessoas que assistem ao conteúdo de várias formas.
  • Publicação de artigos, que é uma forma escrita de contribuição onde, de forma voluntária, participantes da comunidade escrevem fazendo algum tutorial ou explicando ferramentas, ou até mesmo compartilhando alguma dica ou experiência com seus leitores; 
  • Streaming de lives, onde, em tempo real, uma pessoa da comunidade (chamada de host) é responsável por se reunir com pessoas convidadas para falar sobre algum tema. Neste tipo de conteúdo há uma forte interação com o público (que pode enviar perguntas e também debater sobre o assunto junto aos próprios participantes da live); 
  • Gravação de podcasts, onde participantes também se reúnem (similar ao contexto de lives) mas o conteúdo é entregue em formato de áudio é dividido em episódios, ficando disponível ao público sempre que este desejar ouvir – e onde quiser. 

Todas essas formas de compartilhamento visam um único ponto: transformar e impactar a vida das pessoas que participam e promover a influência, de forma positiva, na carreira de tecnologia dos que presenciam.  

 Desafios em 2020

Com a atual situação de isolamento social que estamos vivenciando, vemos toda a sociedade tomando diferentes atitudes e precisando adotar medidas inovadoras para continuar seguindo com seu propósito, sem o mesmo contato e a parte presencial às quais estávamos acostumados antes – e as comunidades técnicas não ficam fora disso. 

Um dos maiores desafios está relacionado à primeira forma de contribuição, os meetups presenciais. Esse tipo de conteúdo precisou sofrer uma pausa justamente como forma de prevenção e responsabilidade, visando que todas as pessoas estejam seguras e longe de qualquer possibilidade de contato.  

Essa era uma das partes mais interessantes das comunidades, pois era através desses meetups que muitas pessoas se conectavam e o networking acontecia de forma natural, trocando experiências sobre carreira e permitindo que pessoas que antes estavam desempregadas tivessem contato com outras empresas e conseguissem se recolocar no mercado.  

Tais encontros, agora sendo feitos estritamente online, continuam sendo agregadores de conhecimento, mas o contato que o presencial gera continua sendo de grande importância e faz falta para todos que estão acostumados com a interação rica que está presente nesse tipo de atividade. 

Partindo para um outro desafio, este dentro do online, está no cuidado da informação que é transmitida. Estamos todos em meio a um enorme volume de informação, todos os dias, horas e minutos. O clima não é dos mais fáceis, e lidar com qualquer fonte em meio a essa situação não é tarefa simples.  

extrema

E, com esses pontos em vista, vê-se também uma grande janela aberta para transformar a vida das pessoas. Pessoas estas que estão passando pelas mais diferentes situações – muitas buscando recolocação em meio à crise, muitas buscando se reinventar e outras pensando em formas de aprender ainda mais – uma grande oportunidade para as comunidades técnicas, que devem sempre buscar por auxiliar cada pessoa intrinsecamente. 

Por serem focadas em tecnologia, a maioria das comunidades já tinham atividades online antes de precisar dar mais atenção para esta plataforma. Agora, temos um número grande delas fazendo lives auxiliando pessoas no início de suas carreiras em tecnologia e tirando dúvidas de quem busca ajuda.  

Nesse meio vale usar a criatividade – pode-se fazer uma mesaredonda, onde diferentes profissionais compartilham suas experiências e interagem com o público, assim como eventos que ocorrem durante alguns dias com várias palestras gravadas previamente e publicadas em conjunto 

Também é possível escrever artigos, uma das formas mais utilizadas para compartilhar sobre algum conteúdo aprendido que pode servir para alguém, e até mesmo mentorias, que são mais individualizadas e provaram-se muito úteis para auxiliar pessoas que estão dando o pontapé inicial na carreira, prontas para serem norteadas por alguém que já trilhou aquele caminho algum dia e sabe onde estão os principais obstáculos. 

Com isso, as comunidades firmam ainda mais sua presença online. Esse meio, diferente do presencial, é capaz de levar a informação ao alcance de muito mais pessoas, podendo chegar a lugares que não imaginávamos que chegariam.  

Uma comunidade que, antes era local, agora consegue impactar todo um país e pode ajudar alguém de outro estado – ou até mesmo outro continente. Podemos pensar nisso como uma grande oportunidade para impactar ainda mais e em como a tecnologia – que é tão presente em nossas vidas – é parte fundamental nisso. 

 

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